sexta-feira, 6 de maio de 2011

EU LEIO QUADRINHOS, E VOCÊ ?

  Em minha breve vida, já ouvi pessoas dizerem que quadrinhos não era considerado uma forma de ler, que é menos denso do que um livro só com letras. Besteira.
  Estou aqui para defender os quadrinhos como uma forma viável de literatura. Sim, pois consigo constatar em meu cotidiano que há uma ideia generalizada e, por que não, banalizada das histórias em quadrinhos.
  Eu gosto de desenho. Sou fascinada por qualquer desenho. E quando comecei a ler gibis, comecei a ficar fã. Tinha uns desenhos engraçadinhos e os balões sem nexo ( com uns 6 ou 7 anos, era sem nexo pra mim). Meus irmãos tinham montanhazinhas de gibis da Disney e da Turma da Mônica. E depois, um tio meu deixou uns outros tipos de gibi, daí avancei pros Conans e Wolverines da vida. E depois nunca mais parei. Radicci, Scott Pilgrim, Calvin e Haroldo, Recruta Zero, Fritz the Cat, Turma da Mônica Jovem ( tá, esse último a gente desconsidera, pode ser?), enfim, todos esses nomes são personagens de histórias em quadrinhos. E são tão obras literárias quanto um livro do Veríssimo ou um Sidney Sheldon. Olha, eu posso ser louca de dar tamanha importância para este tipo de livro, mas é algo que faz parte da minha vida. Nada mais natural que eu venha aqui no meu território e defenda.
   Esses dias, o professor de história mandou a gente fazer uma resenha de um livro que fosse ambientado na Idade Média, na Revolução Industrial ou no Comunismo. Bem, e eu não sabia o que ia fazer, daí vi um livro que eu tinha comprado nas férias. Um livro em quadrinhos. Esse aqui :

( Fritz the Cat)
                                                                                                                                            
  O livro são tiras em quadrinhos que tem como personagem principal o gato Fritz, retratando a década de 60 e começo dos anos 70. Mais ou menos período da Guerra Fria. E é cômico as referências que ele faz. Uma hora o Fritz é agente secreto, numa outra é estudante alienado, vira hippie, músico e artista de cinema. Enfim, são muitas facetas, mostrando tudo o que marcou aquela época. Sem contar na referência à revolução sexual naquele tempo: Fritz é louco por sexo, muitas vezes chegando a ser cafajeste e tarado.
  Mas enfim, o livro mostra literariedade, pois  ele consegue retratar as gírias, os locais os anseios e desejos de uma época (AH, FALEI BONITO AGORA!). É uma boa leitura caso você goste de história, de animais que andam e falam que nem humanos, de loucuragens ou de sacanagem mesmo.
  E tem um outro que eu li recentemente que  é muito bom, mas MUITO BOM MESMO. Ó, esse aqui :


    O livro conta a história dos noturnos, seres humanos que na calada da noite fazem uma metamorfose muito louca ao ouvir um canto de um pássaro flamejante chamado Ridor e viram pássaros gigantes. E no meio disso tudo, encontram-se Lúcia e Lúcio, um casal de noturnos que vão tentar quebrar essa transformation para se livrar de Cempés, um mago que quer dominar o mundo comandando os noturnos. Olha, eu sou suspeita pra falar: os desenhos que o Salvador Sanz faz ( ele aliás é argentino e é muito conhecido por lá ) são muito realistas e detalhistas. Sem contar que os locais que ele desenha são reais, todos inspirados em cidades argentinas. E a história  meio que prende a gente e tal, tem uma coisa meio de terror. Mas é fodástico e aconselho ler pra quem gosta de histórias que acontecem na night, que tenha animais fazendo às vezes de protagonistas, que tenha um pouco de suspense ou um terrozinho básico.
    O que esses livros mostram? Que dá pra fugir completamente do estereótipo de que história em quadrinhos só tem super-heroi. MENTIRA DESLAVADA! Eu sou fã do Wolverine e dos X-Men, mas gosto de uma história que fuja deste semblante de ter um cara com superpoderes e crises existenciais de super-heroi como protagonista.
   Isso não vai me fazer menos leitora ou menos culta do que eu ler um Machado de Assis da vida. Ao contrário, só complementa. Quem acha que é maçante é porque tá se achando o adultinho cult, ou porque não tem o ávido prazer de ler simplesmente por só ler. Tá certo que a gente tem que ler e entender, mas se não vê o desenho como texto da história tanto quanto as partes escritas, é melhor rever seus conceitos e ler uma HQ. Antes que seja tarde demais.

                          

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