segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Crônicas de chuva

 Faz frio em Porto Alegre. E chove. Como chove. A chuva começou com um céu amarelado no fim da manhã, que mais parecia um fim de tarde. Foi só o tempo de vir caminhando apressadamente para casa, que logo em seguida o vento tratou de fazer as árvores aqui da volta dançarem em um ritmo frenético. Era uma coisa linda que todo mundo deveria ver um dia.
 Nestas situações, gosto de observar pela janela a chuva e suas implicações. As nuvens varrem a cidade com água ao mesmo tempo que trazem o caos e afugentam as pessoas a ficarem em espaços concretos construídos pelo homem (leiam-se carros, ônibus, apartamentos, casas e shoppings).
 E então, eu olho para o céu. É como ver o olho do furacão. E, de repente, vem a calmaria. O olho do furacão nos dá alguma luz do dia, mostrando uma redenção vindo dos céus. Bem, ledo engano. A calmaria nos ilude para recomeçar a tormenta.
 E essa inquietude se permeia pela tarde e pela noite. O que nos resta? Ficar abafado debaixo das cobertas, vendo alguma coisa na televisão e, claro, beliscando algum acepipe junto. Ou então repousar o corpo em uma cama e, quem sabe, dormir ou olhar para o teto fingindo que ali existem estrelas e ficar contemplando o nada.
 Quando chove, fico imaginando um marinheiro, seu barco em alto mar no momento de uma tempestade. O pobre marujo levando água na cara e em todo o corpo enquanto tenta manejar o barquinho contra a imensa força das ondas. O desespero frente à certeza de que não se pode ficar imóvel esperando o mar aberto te engolir. É, ando vendo muitos filmes. Imaginação fértil a minha.
 Eu adoro chuva. É fascinante observá-la. Mais fascinante ainda é tomar banho de chuva. Sou a única pessoa que quando vê chuva se aproximando, sai de casa e corre ao seu encontro? Acho que não. E muitas vezes, tomo banho de piscina na chuva. É, na minha opinião, a ocasião mais apropriada para tomar piscina.
 Chuva, chuva, chuva, chuva e mais chuva.Perdoe-me você, que deve estar lendo esta encheção de linguiça pseudo-filosófica com requintes de cult, a tamanha redundância que este texto tem. Eu só queria mostrar o que o ato das nuvens de descarregaram gotas d'água em uma metrópole pode fazer na vida de uma pessoa.
 E aqui, encerro o jejum de textos do blog "Quando a mão coça".