sábado, 19 de março de 2011

Sexo,livros e rock n' roll

  ÓNÓISAQUITRAVEIZ! Pois é, dois posts no mesmo dia. " Mas essa nega num tem mais nada pra fazer, hein ...". Realmente, não tenho mesmo. Sou viciada na internet.
  O post que vem mais atrás, o " Todo carnaval tem seu fim", eu tava fazendo ele desde final de semana passado, e dele enrolar e enrolar. Mãããs o negócio é que essa semana, na aula de redação, eu fiz um poema.
  A gente tá estudando erotismo na literatura e na arte. E antes que me venha um engraçadinho malicioso de plantão, erotismo e pornografia são coisas diferentes. Erotismo explora a sensualidade, é uma coisa que sutil, discreto, que é romântico, indireto, enquanto que a pornografia é escancarado, vulgar, direto mesmo, peito,bunda, pau, vagina. Ó, falei nomes feios. Vão me excomungar do Blogger NÃÃÃÃÃOOOOO!!!!
  Sabe, é diferente quando você olha pra nudez de um homem ou de uma mulher, por exemplo. Tu pode babar, se excitar, se masturbar e querer partir pro ataque. Caso de pornografia tradicional, aquela coisa vulgar, bem fominha mesmo. Ooooooouuuu tu pode observar e prestar atenção em cada detalhe que compõe uma imagem de nudez, conseguindo descrever sutilmente de uma forma bonita essa informoção caliente que o cérebro recebe.
   E eu acho preconceituoso a visão que as pessoas tem de erotismo. Este termo é usado de uma forma errônea pela sociedade, assim virando algo proibidão para crianças e jovens adolescentes. Isso por causa da pornografia. No Brasil, a pornografia é explícita não só em imagens, mas em palavras também.
   " O meu nome é Valeska e apelido 'quero dá' !", " Vai rolar um adultério", " Vai ficar enfeitiçado quando eu empinar o bumbum", " Vou voltar pra sacanagem, pra casa de massagem" , " É a groupie mais gostosa e eu não comi", "Bota pra fuder" . Isso só pra citar alguns ( porque tá tudo me fugindo à cabeça agora). Se tu me disser que isso não é pornográfico, sinal de que você tem probleminha.
    Depois, não adianta reclamar se até o teu primo de 5 anos tá fazendo a dança do créu. Depois, não reclama que a guria apareceu grávida já.
    Pode ter muita erotismo na música, mas a pornografria tem um campo considerável. A questão é: elas andam de mãos dadas muitas vezes.É, porque o erotismo não precisa necessariamente da pornografia. O erotismo pode tornar uma coisa aparentemente banal em algo sensual. Tipo um movimento no cabelo, o jeito de pegar um copo, uma marquinha de vacina, enfim, n coisas ( que me fogem à cabeça também).
    Isso é no nosso cotidiano. Tem pessoas que passam do limite, tem outras que sabem seus limites.
    E na minha aula de português, estamos estudando isso (só agora que eu aprofundei mais um pouco). E lemos muitos poemas eróticos. Então fizemos 3 redações ( repito, 3 redações) usando discurso erótico. As duas primeiras usamos intertextualidade, usamos fragmentos de uma poesia para saber combinar as palavras e entender esse discurso. O terceiro nós tínhamos que criar um poema erótico. Sem apelar para o vulgar, para a pornografia. Sabendo usar as palavras certas, sendo leve e sutil, abusando de imagens físicas,espirituais e sensitivas. Tudo isso no entuito de expressar o desejo pela pessoa amada.
   Complexo, né? Pra mim, até que não. Ando descobrindo um talento para poemas. Quando eu era mais nova, achava chato pacas. Me dava um poema do Mário Quintana, eu te dava um tiro. Mas de uns tempos pra cá, isso vem mudando. Talvez devido ao fato de eu ir amadurecendo e entendendo o sentimentalismo, entendo um pouco de amor ( Jack Love uhu!), me tornando um pouco sentimentalista. Até chorei já em dois filmes e dois seriados ( sei contadinho porque não tenho esse hábito manteiga-derretida).
   Só sei que hoje eu consigo entender melhor o que as palavras querem dizer, e consigo entender melhor a escrita. Ciências humanas é comigo mesmo (tá, me gabei um pouco...).
   Sendo assim, quero mostrar a redação número 3 que fiz em aula. O poema. Cá está :

                                                    Eu vejo


    Olhe lá quem eu vejo !
      Vejo a estudante do cursinho
      Comendo sorrateiramente seu picolé
      Do qual eu queria ser um pedacinho


      Olhe lá o que vejo !
      A virgem Maria, de cantinho me piscando
      Rodeada por anjos cheios de malícia
      Com fogo queimando e imaginação delirando


      Olhe lá onde vejo
      A vizinha parada na esquina
      Com uma saia e decote fora do comum
      Dançando pro cara da propina


      Olhe lá como eu vejo
      A garçonete do restaurante
      Andando com maestria em seus patins
      Mostrando que curvas já tem o bastante


      Olhe lá quando eu vejo
      A moça tocando o violão
      Fazendo o estilo pin-up
      Tocando um gostoso rock com demasiada paixão


      Olhe lá por que eu vejo
      Essas moças que na cidade se espalham
      Com certeza porque em algum dia de suas vidas
      Por mim apaixonadamente chamavam


   Pra mim, foi algo fácil. A inspiração não me falhou. Nem as rimas, já que faço elas em casa com a minha mãe. E as tem pessoas que não conseguem isso assim. Por essas e outras que eu aconselho: leiam sempre. Qualquer coisa, até bula de remédio. Conheça as palavras. Olhem televisão. Parece inútil às vezes, mas ela te dá conhecimento. Retenha as informações que vêm simultaneamente e tenha a capacidade de diferenciar, de discernir.
   Se eu sou assim como eu sou, é porque eu assisti muita televisão (até demais),procurava ler sempre e pesquisei muitas coisas com tio Google tia Wikipédia ( não tinha mais nada pra fazer, então ganhar conhecimento era uma boa).
   E não saiam da escola. Isso é importante.
   E VIVA O ROCK N' ROLL EM TODAS AS SUAS VERTENTES!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Todo Carnaval tem seu fim

            

   " Paz, carnaval, futebol ... Não mata, não engorda e não faz mal."

 Assim perpetuou Cláudia Leitte, grande filósofa (MAS NEM A PAU!) brasileira. E olha: até que faz sentido.
E como pode uma letra tão tosca que nem essa fazer um mísero sentido? Bem, a história começa na minha relação com o carnaval.
 Quando eu era mais nova, odiava o carnaval. Achava que era tosco e decadente (bem,é um pouco,mas enfim...). Ainda mais que tinha aglomeração (tinha pavor e até um certo ódio por aglomeração). Tanto que uma vez,quando passei o carnaval em casa no meu apartamento anterior, minha família ficou na sala vendo farofada (ou Globeleza para os acostumados), eu fiquei no meu quarto assistindo MTV ( é, exatamente o oposto!) e seus intermináveis blocos de clipes de bandas de rock. Tinha até Cachorro Grande. Meu pai ficou incomodado com isso.
  Mas muito tempo se passou. E eu mudei. Sou uma roqueira convicta ( ROCK NA VÉIA,MANO!), mas eu fiquei ... Não, melhor: eu estou mais eclética, minha mente está mais aberta para novos sons e novos tipos de dança. Me arrisco até requebrando na boquinha da garrafa ou sambando que nem um gringo idiota.
  Bem, e essa introdução espetacular ( não para você, mas para mim hahahaha), quero fazer um post sobre o carnaval. Isso aí. Já percebu o clima de folia né, espertinho?
  Pois vou começar: minha mãe ia para o Rio com meu pai. Das Antas ? Não, engraçadinho. Rio de Janeiro, onde o tem o melhor carnaval do mundo ( bem, nunca fui lá para ver, mas é o que dizem). Não estava certo isso, mas no final rolou. Meu irmão ia para Camboriú ( quem pode, pode né ?), minha irmã ia para uma cidadezinha perto da Lagoa dos Patos com os amigos dela e a minha prima, e a Sofia (até a Sofia tinha lugar para ir!) ia viajar inté Garopaba com o pai dela. Então eu, a caçula da casa, com uma vida social nem tão movimentada assim, tinha que arranjar um programão para o Carnaval. No começo, até queria ficar sozinha em casa. Ia ser foda. Mas como eu só tenho 15 e minha mãe não deixaria a caçulinha ao deus-dará (sou ateia, mas foda-se se eu uso expressão cristã). Conversei com as minhas amigas para ver se elas iam fazer algo ou se tinha um lugar paieu. Nós até combinamos algo para o Carnaval mas sacomé, no final nem rolou nada.
   Daí, as minha opções eram ir com a minha irmã e cia. limitada para o Carnaval de Arambaré, ou IR COM A MINHA IRMÃ E CIA. LIMITADA PARA O CARNAVAL DE ARAMBARÉ. É óbvio que eu escolhi a segunda opção, não sou boba. Então me preparei com roupas,mantimentos e presença de espírito. Os preparativos estavam a mil. E então chegou o grande dia. Primeiro levamos minha mãe no aeroporto antes das 6 da matina (horário de voo bem stranger). Voltamos para casa, eu e a Gi. Capotamos de sono. Então acordamos umas três horas depois para os preparos gerais. Depois de carregar o carro, botar as caronas dentro (minha prima Carol e a amiga dela, a Amanda), parar no super e parar no posto, seguimos estrada afora. Bem on the road pela BR-116. O carro tomado pelas mulheres, a sensação de liberdade, a paisagem bacaninha e os pedágios baratos de doer ( é ironia, tavam um assalto) fizeram da viagem algo sem igual. Bem, deve ter igual, mas para mim é sem comparação.
   Estava tudo muito bem, estávamos quase chegando em Aramba ( para os íntimos pakspsaksasas) quando liga uma outra amiga da minha prima, que estava com o acompanhante em um carro atrás.Fomos para lá. Um bêbado muito esquizofrênico bateu na frente do carro. Muito trouxa. E pior: o carro não era dele e eles bateram em uma estrada de chão que não tinha mais fim. Tudo para dar certo. Voou até roda e mola do carro do bêbado. A Gi pegou a mola e botou no nosso carro ( lembrancinha de carnaval). Viemos com o carro superlotado.Ô coisa boa. Chegamos em Arambaré daí. Nós tínhamos que ir para o camping municipal.
    Os guris se acamparam por lá, porque os outros campings tavam lotados. E olha que o camping que eles tavam era no fim da cidade. Fiquei por lá com os guris arrumando a barraca king size que a Gi trouxe, conversando com os guris e fazendo a social com os vizinhos de barraca. Um dos vizinhos era o mestre de cerimônias do carnaval da cidade ( sou foda ♪) e tinha umas gurias de Camaquã,que era do lado ( muito queridas). Nós estávamos em 14 pessoas. 14! A gente era um bonde, podíamos formar um bloco mas não houve preparo. E as nossas barracas estavam todas amontoadas em um canto divisa com um matinho legal onde se encontravam cobrinhas ( vi uma cobra verde ali perto) e outros amiguinhos silvestres. Era uma cohab praticamente . Cohab, para os leigos, é abreviatura de conjunto habitacional, onde vivem pessoas com casinhas iguais,tudo socado no mesmo lugar. Enfim, 14 pessoas! Era muita gente.

    ♪ Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão ! De dia é Maria, de noite é João ♪
         ( Marchinha da Maria Sapatão, sei lá qual o nome)

    Todo mundo se arrumava e saíamos umas 9 ou 10 da noite com um kit de comes e bebes e caminhávamos   uns 3 ou 4 km até o Centro da cidade, onde rolava o fervo do carnaval de rua. Uns em slow-motion, bebendo alguma coisa, outros rapidinhos para não perder o pique. Assim como nosso bloco da cohab (apelido carinhoso que inventei para nosso grupo), muitos faziam o mesmo caminho de peregrinação até a diversão. Jantávamos por lá mesmo. Em um dos dias, jantei crepe. A guria que fazia os crepes fez como a maldita cara dela, porque ela botou pedaços de chocolate do tamanho do meu mindinho e ainda fez eu queimar a língua. Aí é foda. E depois, a gente ficava perambulando e curtindo a vibe do Carnavaré (= Carnaval de Arambaré). Olha, vou dizer uma coisa: tinha muita gente. Muito nativo da região, mas muita gente. Era homem vestido de mulher, skinheads ( os skinheads acamparam na beira da lagoa), rockers, funkeiros, micareteiros, famílias, casais, blocos, tudo que tu pode imaginar.
   Tinha muito vendedor ambulante de neve artificial ( vulgo espuminha divertida). Comprava umas 2 ou 4 dessas ( comprava em pares porque eram 2 por 10 e me parecia bom e barato :D). E o carnaval, então. Tocava de tudo. A música da Maria Sapatão era apenas uma entre tantas outras que tocaram à exaustão todas as noites. Funk, samba, pagode, axé, lambada ( ♪ Dançando lambada ♪)... Tocou até rock. Quando tocava "Tropa de Elite", "Anna Julia" ( dale Los Hermanos!), músicas dos Mamonas Assassinas e Raimundos, aquela era a minha deixa pra eu pular, gritar e fazer uma rodinha punk básica de todo roqueiro.
   A gente ficava até umas 6 da manhã. Depois a gente caminhava de novo até a cohab no camping, só que indo pela beira da lagoa, já que passava uns tchuco ( leia-se bêbados) passavam com seus chevettes da vida acelerando a toda. Chegando no camping, capotávamos nas barracas. Daí eu acordava lá por umas 11, quase meio-dia pra tomar café da manhã. Pão, patê, nescauzinho básico, leitinho, copos descartáveis de 750 ml , tudo organizadinho em uma mesa de madeira improvisada pelo nosso mestre de cerimônias, um verdadeiro McGyver da vida ( se tu não sabe quem é McGyver, procura no tio Google, pode ser?). Almoço era um genuíno salchipão ( no meio da cohab tinha uma churrasqueira de lajotinha improvisada) e um frango bem temperado. Muito bom. Depois a gente comia um doce. Teve um dia que até distribui bis pra galera. Daí  ia pro meu colchãozinho inflável e dormia uma sesta.
    Teve um dia que foi muito engraçado. A barraca da Fran (a amiga da minha prima que bateu o carro) se movimentou. Tava ela e o Jeferson, que veio com ela no carro que deu perda total. Aí eu tava sentada ali fora com os guris, e o Rafa ( melhor amigo da Gi e da família) e fez uns comentários de arreganho. Ela saiu da barraca e brigou com os caras por causa dos comentários. Chamou todo mundo de idiota. E era idiota todo o tempo. Aí ficou a palavra. Tudo a gente falava "mas que coisa idiota". Nunca ri tanto da palavra "idiota" como nesse carnaval.
     Mas o horror era a hora do banho. O banheiro comunitário era fedido, sujo, cheio de formiga e cheio de mulher feia. Fazer o que, né... Tem em qualquer lugar. Teve uma porca que teve a capacidade de deixar um maldito absorvente enrolado no chão lá no chuveiro. MAS QUE PORRA! FAZ ISSO NA TUA CASA, SUA PORCA! Ufa, isso tava trancado.
    E finalmente, melhor momento do dia: ir na lagoa. O camping era exatamente uns 20 metros da lagoa, e era muito bom. A lagoa é rasa demais. Tu vai tri pro fundo, mas continua no raso. Muito tri. Minha mãe contou que uma vez o meu tio, quando tinha a minha idade, ficou conversando numa boia ( tipo roda de caminhão mesmo) com um guria na Lagoa dos Patos. E daí, eles começaram a ir muito pro fundo. Foram tanto que quando foram sair da boia, os pés não tocavam o chão. Então,eles começaram a nadar em cima da boia até a beira. Pois é, coisa de louco.
    Teve um dia que eu, o Rafa e a Amanda fomos pra beira da lagoa. Isso era umas 5h30, por aí. A gente tava esperando o sol nascer. Ficamos ali batendo um papo,olhando as nuvens e tal, de repente o Rafa grita:
    - OLHA LÁ! TÁ NASCENDO O SOL! OLHA ELE VINDO!
    Daí a gente viu o começo daquele bola de fogo saindo de trás da lagoa. Na hora, nós três fizemos um "uau" tipo E.T. , o Extraterrestre, sabe? Foi uma das melhores coisas que já vi na minha vida. Era a primeira vez que eu vi ele nascer. Um espetáculo natural.
    E, claro, as infalíveis cantadas dos guris. Eu destaco duas que me marcaram, de autoria do Vini e do Chocolate, membros da cohab.
    "Gosta de chocolate? Prazer, chocolate."
    "Gosta de peixe? Prazer, muleke piranha."

    Já sabe, se quer se dar bem na night, usa uma dessas que é batata.
    Enfim, o carnaval foi marcante pra mim. Marcante porque me diverti muito como nunca, descobri o significado da palavra " desencanar" convivendo com gente tri parceria, vi que socializar com gente mais velha é tri e que dias assim com gente assim não é sempre, então quando tem que aproveitar.
    Moral da história: aproveite a vida, não leve as coisas tão a sério, curta as companhias que tu tem, porque muitas vezes o lugar é uma birosca braba, mas se tiver uma boa companhia, já vai ficando. Desencana, tchê!
    Acabo por aqui, agradecendo a todo os idiotas que tava lá na cohab.E até mais, bando de idiotas!